Deixei para falar sobre esse assunto somente alguns dias depois do ocorrido para evitar falar imbuído da emoção e terminar sendo injusto. Por isso é que hoje, com a calma atingida por aqueles que sabem esperar, posso dizer que os filmes de Robin Williams moldaram minha personalidade.
O primeiro filme que me recordo de ter visto e gravado em minha mente e que contou com a interpretação de Williams foi Sociedade dos Poetas Mortos. Não acredito que exista alguém na face desse planeta que não conheça a história desse filme mas não custa relembrar um pouco. Nessa película acompanhamos John Keating, um professor de literatura inglesa com uma forma de ensinar peculiar, incentivando os jovens a pensar fora da caixa e a aproveitar o dia. Essa foi uma obra que influenciou muitas pessoas a se tornarem professores ou escritores. A mim causou o efeito que Keating buscava causar em seus alunos. Com Williams aprendi a ver o mundo de forma diferente, de outra perspectiva.
Outra obra que muito me marcou foi Amor Além da Vida. Esse filme conta com a atuação maravilhosa de Williams e de Cuba Goodin Jr., que o ensina sobre a vida após a morte para só então de identificar como uma manifestação do filho de Chris Nilsen, personagem de Robin. Com essa película aprendi que o amor tudo pode e que surpassa a própria morte.
Mas o filme que mais gosto e que talvez seja um dos menos conhecidos do Robin Williams no Brasil é Um Sinal de Esperança. Nesse filme o ator vive o personagem de Jakob, dono de uma loja de panquecas que não mais pode produzir uma vez que ele está confinado em gueto na Polônia. Jakob mostra um jeito quase brasileiro de resolver as coisas, desde o corte de barba de graça que ele consegue quase que diariamente do seu amigo barbeiro sob a promessa de panquecas que nunca chegarão até o agenciamento de lutas de pugilista Misha. O filme conquista pela sua simplicidade ao contar a história de um homem que mente sobre ter um rádio e passa a espalhar a esperança com estórias sobre vitórias soviéticas próximas ao local onde os judeus estão confinados. O término do filme é tão trágico quanto o término da vida do ator, posto que o herói deixa a vida enforcado, sem, no entanto, confessar que as estórias que inventara são, de fato, inventadas.
O fato é que a morte de Robin Williams deixa um buraco em nossos corações que dificilmente será preenchido com outro ator.
Refletindo sobre o falecimento do grande ator me lembrei de uns trechos da música Sonhos de um Palhaço. Uma parte em específico me vem à mente:
Ah, no palco da ilusão
Pintei meu coração
Entreguei o amor e o sonho sem saber
Que o palhaço pinta o rosto pra viver
Robin Williams, comediante que é, pintou seu rosto para esconder a imensa tristeza que o assolava, nos trazendo imensa felicidade, ainda que mascarando os seus sentimentos.
Robin, você se foi e nós ficamos seus órfãos mas suas obras permanecem. Você, ó meu capitão, influenciará e mudará muitos jovens ainda.
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