domingo, 18 de maio de 2014

Getúlio

Confesso que fui assistir Getúlio com baixas expectativas, mas fui surpreendido.

O filme foi divinamente dirigido por João Jardim, contando a história dos 19 últimos dias do governo Vargas, indo desde o atentado na Rua Tonelero até o fatídico suicídio do Presidente da República em 24 de agosto de 1954.

Não me deterei muito na história, posto que conhecida por todos que tenham atingido a 8ª série do ensino fundamental. Falarei, portanto, da fantástica qualidade técnica do filme.

O diretor se mostrou corajoso com ângulos de câmera que ajudam a contar a história, como quando Vargas conversa com Café Filho e a câmera se posiciona debaixo dos dois, tornando Getúlio muito maior que Café, que buscava convencer o presidente à renunciar.

O longa, que custou 6 milhões de reais (um preço até modesto se compararmos com Lincoln, que custou 65 milhões de dólares), teve, até o dia 11 de maios e 2014, 246.871 expectadores, estando entre as melhores bilheterias do ano no Brasil.

Fiquei muito impressionado com a fotografia do filme, que ajudava, junto com o figurino, a nos transportar para o Catete na época de Vargas. Aliás, o figurino e a maquiagem merecem uma menção honrosa. Verdadeiras obras de arte foram feitas para transformar Tony Ramos no Presidente Getúlio. Segundo consta, todos os dias o ator tinha que passar por pelo menos duas horas de preparação antes de ir pro set de filmagens. Os outros personagens também estavam idênticos às suas contrapartes da vida real.

As atuações, salvo raras exceções, foram primorosas. Tony Ramos convenceu, assim como todo o elenco.

Recomendo o filme não só para amantes da história, como eu, mas para aqueles que buscam um filme inteligente e que traga algo além de duas horas de diversão.

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