terça-feira, 19 de agosto de 2014

Carpe Diem

Deixei para falar sobre esse assunto somente alguns dias depois do ocorrido para evitar falar imbuído da emoção e terminar sendo injusto. Por isso é que hoje, com a calma atingida por aqueles que sabem esperar, posso dizer que os filmes de Robin Williams moldaram minha personalidade.

O primeiro filme que me recordo de ter visto e gravado em minha mente e que contou com a interpretação de Williams foi Sociedade dos Poetas Mortos. Não acredito que exista alguém na face desse planeta que não conheça a história desse filme mas não custa relembrar um pouco. Nessa película acompanhamos John Keating, um professor de literatura inglesa com uma forma de ensinar peculiar, incentivando os jovens a pensar fora da caixa e a aproveitar o dia. Essa foi uma obra que influenciou muitas pessoas a se tornarem professores ou escritores. A mim causou o efeito que Keating buscava causar em seus alunos. Com Williams aprendi a ver o mundo de forma diferente, de outra perspectiva.

Outra obra que muito me marcou foi Amor Além da Vida. Esse filme conta com a atuação maravilhosa de Williams e de Cuba Goodin Jr., que o ensina sobre a vida após a morte para só então de identificar como uma manifestação do filho de Chris Nilsen, personagem de Robin. Com essa película aprendi que o amor tudo pode e que surpassa a própria morte.

Mas o filme que mais gosto e que talvez seja um dos menos conhecidos do Robin Williams no Brasil é Um Sinal de Esperança. Nesse filme o ator vive o personagem de Jakob, dono de uma loja de panquecas que não mais pode produzir uma vez que ele está confinado em gueto na Polônia. Jakob mostra um jeito quase brasileiro de resolver as coisas, desde o corte de barba de graça que ele consegue quase que diariamente do seu amigo barbeiro sob a promessa de panquecas que nunca chegarão até o agenciamento de lutas de pugilista Misha. O filme conquista pela sua simplicidade ao contar a história de um homem que mente sobre ter um rádio e passa a espalhar a esperança com estórias sobre vitórias soviéticas próximas ao local onde os judeus estão confinados. O término do filme é tão trágico quanto o término da vida do ator, posto que o herói deixa a vida enforcado, sem, no entanto, confessar que as estórias que inventara são, de fato, inventadas.

O fato é que a morte de Robin Williams deixa um buraco em nossos corações que dificilmente será preenchido com outro ator.

Refletindo sobre o falecimento do grande ator me lembrei de uns trechos da música Sonhos de um Palhaço. Uma parte em específico me vem à mente:

Ah, no palco da ilusão
Pintei meu coração
Entreguei o amor e o sonho sem saber
Que o palhaço pinta o rosto pra viver

Robin Williams, comediante que é, pintou seu rosto para esconder a imensa tristeza que o assolava, nos trazendo imensa felicidade, ainda que mascarando os seus sentimentos.

Robin, você se foi e nós ficamos seus órfãos mas suas obras permanecem. Você, ó meu capitão, influenciará e mudará muitos jovens ainda.

domingo, 18 de maio de 2014

Getúlio

Confesso que fui assistir Getúlio com baixas expectativas, mas fui surpreendido.

O filme foi divinamente dirigido por João Jardim, contando a história dos 19 últimos dias do governo Vargas, indo desde o atentado na Rua Tonelero até o fatídico suicídio do Presidente da República em 24 de agosto de 1954.

Não me deterei muito na história, posto que conhecida por todos que tenham atingido a 8ª série do ensino fundamental. Falarei, portanto, da fantástica qualidade técnica do filme.

O diretor se mostrou corajoso com ângulos de câmera que ajudam a contar a história, como quando Vargas conversa com Café Filho e a câmera se posiciona debaixo dos dois, tornando Getúlio muito maior que Café, que buscava convencer o presidente à renunciar.

O longa, que custou 6 milhões de reais (um preço até modesto se compararmos com Lincoln, que custou 65 milhões de dólares), teve, até o dia 11 de maios e 2014, 246.871 expectadores, estando entre as melhores bilheterias do ano no Brasil.

Fiquei muito impressionado com a fotografia do filme, que ajudava, junto com o figurino, a nos transportar para o Catete na época de Vargas. Aliás, o figurino e a maquiagem merecem uma menção honrosa. Verdadeiras obras de arte foram feitas para transformar Tony Ramos no Presidente Getúlio. Segundo consta, todos os dias o ator tinha que passar por pelo menos duas horas de preparação antes de ir pro set de filmagens. Os outros personagens também estavam idênticos às suas contrapartes da vida real.

As atuações, salvo raras exceções, foram primorosas. Tony Ramos convenceu, assim como todo o elenco.

Recomendo o filme não só para amantes da história, como eu, mas para aqueles que buscam um filme inteligente e que traga algo além de duas horas de diversão.

domingo, 4 de maio de 2014

Capitão América: O Soldado Invernal

Inicialmente, devo dizer que o presente texto contêm spoilers, então leia por sua conta e risco.

Eu me perguntava, como acredito que muitos de vocês também o faziam, que tipo de ameaças poderiam requerer a atenção do Capitão América após os acontecimentos dos Vingadores, levando em consideração que, muito embora de um caráter inabalável, ele é um herói fisicamente mais fraco.

Justamente pensando nisso que a Marvel nos trouxe o que penso ser uma aventura mais pé no chão, mais estilo Bourne. Somos apresentados à uma história de conspiração, onde é revelado que a Hydra se infiltrou na S.H.I.E.L.D. após a Segunda Guerra Mundial. Devemos nos lembrar que de fato houve um programa americano para trazer cientistas nazistas para suas fileiras após a Grande Guerra, o que dá credibilidade para o fato do Dr. Armin Zola ter vindo para o lado de cá do Atlântico, e acabou trazendo consigo sua ideologia.

Vemos um capitão mais humano, que se dispôs a dar a vida pelo amigo Bucky. Aliás, que personagem. Ouvi algumas pessoas dizerem que o Soldado Invernal não foi muito bem desenvolvido. Na minha humilde opinião isso não passa de balela. Acontece que o Bucky já aparecia no primeiro filme e quem sabe um pouco da história do Capitão tinha noção da identidade do seu inimigo. Chegou a ser emocionante o momento que ele desistiu de lutar com o amigo, deixando-se ser surrado, mas afirmando que jamais o abandonaria novamente.

O Capitão também mostrou que não é só de cumprir ordens, mas sabe pensar por si só, e se contrapor à autoridade quando necessário. Pareceu-me, aliás, uma excelente preparação para a Guerra Civil.

Não podia deixar de falar do Nick Fury. Que cara badass motherfucker! Excelente perseguição de carro, tiroteio, morte fingida. Uau. Queria ver um filme dele, confesso.

Entretanto uma coisa não me agradou no filme: o romancezinho entre Steve e Natasha Romanoff. Pareceu ser algo muito artificial, com a Viuva Negra se atirando pro Rogers, sem aprofundar nos motivos que ela queira estar com ele. Além disso achei um saco ela ficar dando uma de casamenteira com ele. Minha filha, decida o que você quer da vida.

Meu veredito final é que é um filme muito bom. Não é o melhor da Marvel que eu já vi, mas foram excelentes duas horas e meia.

Ps: O filme tem duas cenas pós-créditos. Não saiam do cinema até a luz se acender.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Copa de Elite, o Top Gang Brasileiro?

Copa de Elite é uma das melhores comédias nacionais que eu já assisti.

Recentemente fui com minha digníssima à um cinema para assistir Copa de Elite, uma sugestão dela. Fui às cegas, já que nunca tinha visto trailer ou mesmo qualquer menção ao filme em algum lugar. Mal sabia eu que estava prestes a ser surpreendido.

Nós acompanhamos a história de um Capitão do BOP (isso, sem o "e" mesmo, já que eles perderam o status de especiais) chamado Jorge Capitão que, da forma mais maluca possível, busca salvar o Papa de um palhaço assassino, bem como o Cristo Redentor de uma explosão causada por um vibrador atômico.

A película traz diversas homenagens aos filmes dos anos 80/90, bem como a algumas atualidades brasileiras. O próprio nome do personagem principal é uma referência clara ao John Villain, interpretado por Van-Damme em Os Mercenarios 2, assim como ao Capitão Nascimento. Vimos também divertidas referências a O Exterminador do Futuro e Se Eu Fosse Você.

O filme não é lá muito original. Na verdade, parece uma versão abrasileirada de Top Gang 2 - A Missão. Até o Marcos Veras, ator que faz o personagem principal, tem aquela cara do Charlie Sheen de sério quando faz a piada mais non-sense de todos os tempos.

Aliás, a película é non-sense do começo ao fim, como era Top Gang e Loucademia de Policia, podendo contar com as participações mais do que especiais do Bruno de Luca e, quem diria, MOLEJO.

Para quem sente falta daqueles filmes estilo sessão da tarde, que você pode simplesmente desligar o seu cérebro e se divertir, Copa de Elite é uma excelente opção.

domingo, 6 de abril de 2014

Wilker

Todos nós fomos surpreendidos na manhã de ontem com a noticia do falecimento do grande ator e critico de cinema José Wilker.

José Wilker Almeida nasceu na cidade de Juazeiro do Norte, terra de Padre Cícero Romão Batista, em 20 de agosto de 1947, filho de um caixeiro viajante e uma dona de casa.

Oriundo de uma família pobre, logo saiu do nordeste para o Rio de Janeiro, em busca de uma vida melhor, de viver o sonho de muitos: ser um astro.

A carreira de Wilker iniciou com uma participação na creditada no filme A Falecida, que contava com Fernanda Montenegro como a protagonista.

O ator cearense teve grandes papeis na televisão brasileira, sendo o seu mais marcante o de Roque Santeiro, da novela de mesmo nome.

Para o cinema contribuiu ainda mais, fazendo papeis como o do também cearense Antonio Conselheiro e Vadinho, de Dona Flor e seus Dois Maridos.

Deixou também sua marca na direção cinematográfica do filme Cinderela, de 1986.

Wilker mostrou-se um exímio crítico de cinema, assinando uma coluna no Jornal do Brasil, bem como apresentando a Premiação do Oscar, na Rede Globo.

O nosso conterrâneo faleceu aos 66 anos, deixando diversos fãs (como eu) saudosos de seu talento.

José Wilker, infelizmente o Brasil não poderá mais lhe usar.

sábado, 29 de março de 2014

Robocop do BOPE

Antes de tudo aviso que estamos entrando na ZONA DE SPOILERS.

Primeiro, o pior erro que alguém pode cometer ao ir ver esse filme é querer que ele seja uma fiel cópia do de 1987. Gente, não se trata de uma refilmagem, mas de um reboot, que trás várias diferenças, sendo a principal que o Alex Murphy não foi considerado morto, mas sim um homem ainda vivo, tendo passado por um avançado programa de recuperação da OmniCorp (Omni Consumer Products - OCP). Entender o fato que é um reboot facilita demais gostar do filme.

Confesso que, mesmo sabendo de sua natureza, algumas homenagens me deixaram contentes, como a musica tema no começo do filme, que me fez ficar extasiado, de boca aberta e queixo caído, ou o antigo modelo do Robocop sendo considerado para a utilização no novo.

A relação do Alex Murphy com o Robocop é mais profunda. Ao contrário do original, ele sempre manteve sua consciência, não tendo se tornado um automato, mas um homem assolado por não poder ter a vida que antes tinha. Note-se, entretanto, que tal relação poderia ter sido mais bem explorada, entretanto essa não era bem a proposta do filme.

Tiraram também a parceira dele, a Lewis, trazendo um homem negro para a parceria com o "Homem de Lata", recebendo ele o mesmo sobrenome da antiga colega de trabalho do Murphy. Toda a relação que existia entre os dois foi transferida para a muito mais palpável relação entre Alex e sua esposa, que, ao meu ver, eh muito bem explorada para um filme de ação.

Também foi muito bom ver ao final a famosa frase "dead or alive you're coming with me" sendo entregue de uma forma tão convincente por um Murphy quase morto.

Por último, achei muito interessante a forma que foi inserida a diretiva nº 4, no formato de pulseiras que marcavam certos indivíduos (não todos) como dignos de proteção pelos robôs da OCP.

Com relação à direção acho que o Padilha foi bem, muito embora dê pra se notar que o Robocop é um filme de produtor.

Por último, é claro que não há tanto sangue quanto a versão do Paul Verhoeven, mas, muito embora de fato não seja melhor que o original, é um excelente filme de ação.